Um monitoramento técnico da Funpec/UFRN apontou que a engorda da Praia de Ponta Negra perdeu 39,27% da faixa de areia em um ano, com redução de 400,9 mil metros cúbicos de sedimentos entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026 — passando de 1,02 milhão para 619,8 mil metros cúbicos. O entorno do Morro do Careca foi identificado como a área mais crítica, levando pesquisadores a recomendar medidas como reaterro e intervenções complementares para conter a erosão.
Apesar da redução, o relatório destaca que a perda pode não ser definitiva, já que o levantamento considera apenas a faixa acima da linha d’água, sem incluir áreas submersas, onde parte dos sedimentos pode ter sido redistribuída.
O estudo divide a engorda em três áreas: Via Costeira (Área A), trecho central de Ponta Negra (Área B) e entorno do Morro do Careca (Área C). A maior redução percentual ocorreu na Área C, com perda de 51,87% do volume inicial (111,1 mil m³). A Via Costeira registrou a maior perda em volume absoluto, com 207 mil m³ (49,74%), enquanto a área central perdeu 82,7 mil m³, equivalente a 21,21%.
Segundo os pesquisadores, sem ações complementares — como reaterro, melhorias na drenagem, redimensionamento de dissipadores e implantação de lagoas de infiltração — a tendência é de continuidade da erosão no entorno do Morro do Careca.
A secretária municipal de Infraestrutura, Shirley Cavalcanti, afirmou que o relatório não aponta perda definitiva da areia, atribuindo a redução observada à dinâmica natural de transporte e redistribuição dos sedimentos ao longo da praia.
O relatório também relaciona o cenário a quatro eventos erosivos registrados no primeiro ano após a obra: uma voçoroca causada por chuvas em fevereiro de 2025; novo rompimento no pé do Morro do Careca em junho; alagamentos associados à superlua em outubro; e novos episódios erosivos em fevereiro de 2026, reforçando a avaliação de que as medidas adotadas até agora são insuficientes para resolver o problema.
Foto: Sérgio Henrique Santos/Inter TV







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