Um empresário do setor de postos de combustíveis foi preso nesta terça-feira (23) durante a Operação Emirados, deflagrada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) e pela Polícia Civil. Ele é investigado por lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, associação criminosa e falsidade ideológica. O nome não foi divulgado.
Segundo o MPRN, o grupo causou um prejuízo de aproximadamente R$ 72 milhões aos cofres públicos por meio do não recolhimento de ICMS. Diante do valor envolvido e do risco de ocultação de patrimônio, a Justiça determinou o bloqueio de bens e contas bancárias no mesmo montante, atingindo pessoas físicas, jurídicas e nove empresas apontadas como integrantes do esquema.
Além da prisão, foram cumpridos 33 mandados de busca e apreensão e aplicadas 75 medidas cautelares nas cidades de Natal, Parnamirim e São Gonçalo do Amarante. A Justiça também determinou o sequestro de 18 imóveis e de uma lancha.
Na residência do principal investigado, foram apreendidos mais de R$ 90 mil em espécie, além de dólares, euros, joias, documentos, celulares e computadores.
As investigações apontam que o empresário liderava uma estrutura criada para ocultar patrimônio e evitar cobranças judiciais, registrando bens em nome de parentes, funcionários e pessoas usadas como “laranjas”. O grupo também controlaria empresas de fachada, incluindo distribuidoras, bares e postos de combustíveis.
Entre as irregularidades identificadas estão a omissão de mercadorias, a não emissão de notas fiscais e a abertura de empresas em nome de terceiros, inclusive pessoas de baixa renda e beneficiários de programas sociais. As empresas ligadas ao grupo acumulam dívida ativa de R$ 72,9 milhões referente ao ICMS não recolhido.
Uma das linhas da investigação surgiu após a compra de um carro de luxo avaliado em cerca de R$ 800 mil, registrado em nome de um auxiliar de contabilidade com salário de R$ 1.954. O mesmo funcionário também aparecia como comprador formal de uma mansão avaliada em R$ 2,5 milhões, que, segundo a apuração, era utilizada pelo líder do esquema.
A investigação foi conduzida pela 56ª Promotoria de Justiça de Natal, pelo Gaeco, pela Delegacia de Repressão à Lavagem de Dinheiro (DRLD) e pela Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz), com a participação de mais de 120 policiais civis, promotores, servidores e auditores fiscais.







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