A Prefeitura do Natal, por meio da Secretaria Municipal de Educação, tem a iniciativa de oferecer educação às pessoas em situação de rua. A proposta é criar uma classe exclusiva para esse público, visando à melhoria de vida e inclusão social. Na manhã do último domingo (22), uma equipe pedagógica da SME-Natal realizou uma visita técnica à Toca de Assis, uma fraternidade religiosa da Igreja Católica que trabalha com pessoas em situação de rua, para conhecer o trabalho realizado e verificar as possibilidades de uma parceria.
De acordo com o chefe do Setor de Educação de Jovens e Adultos, Luan Presley Mendonça Santiago, o objetivo da iniciativa é oferecer uma educação humanitária e inclusiva, que atenda às necessidades específicas desse público. Luan Santiago detalhou como funcionará a inserção da pessoa em situação de rua como estudante da Educação de Jovens e Adultos.
“Inicialmente, faremos um estudo de demanda. Estamos nos apresentando e verificando possíveis estudantes, entendendo que eles passam por necessidades reais e que nem todos vão poder participar todos os dias, informando sobre quais são os horários em que eles poderão participar, se as aulas poderão ocorrer no diurno ou noturno. A segunda etapa é realizar as matrículas na rede, e esse estudante vai ter direito, como todo outro aluno da rede, à alimentação, fardamento, passe-livre, carteira de estudante. Todos os direitos que competem ao estudante. Depois dessa vinculação na rede municipal, vamos pensar na seleção dos professores ou do professor que vai fazer esse atendimento, precisa pensar no perfil do profissional, no planejamento específico, na prática pedagógica. Estamos conversando para entender a realidade deles, nos organizarmos enquanto SME-Natal e, de fato, partirmos para o movimento da implantação da nossa política de atendimento”, explicou Santiago.
Interessada em participar do projeto está Ângela Maria Moreira da Silva, de 48 anos, que vive em situação de rua há pelo menos 30 anos. “Meu sonho é trabalhar como cozinheira, mas, infelizmente, ninguém me dá uma oportunidade porque eu não sei ler e nem escrever. Eu só estudei até a 1ª série e fui expulsa do colégio. Naquela época, era muito difícil as coisas em casa, minha família teve muitas dificuldades. Hoje, eu sou muito discriminada na rua, sofro muito preconceito, mas eu sei que, se eu estudar, aprender e puder trabalhar, eu vou poder viver melhor, alugar uma casa para morar e sair da rua, porque a vida de rua é muito ruim”, afirmou Ângela da Silva.
O coordenador geral da Toca de Assis, Marco Antônio Campos de Lira, reforçou que “dentro da Igreja Católica Apostólica Romana existe uma expressão chamada carisma. Nosso carisma em relação à pastoral é com os irmãos em situação de rua. Aqueles homens e mulheres que estão nas praças, calçadas e viadutos por algum motivo. A nossa missão na Toca de Assis é tentar resgatar, descobrir onde eles pararam, onde foi dado esse nó, em que eles perderam o rumo, como falamos, da estrada da vida deles, da divindade, da família, e aí, com muita calma, com conhecimentos, estabelecemos um convívio praticamente diário, até que eles consigam se abrir e termos uma possibilidade de mudança de vida”.
A visita técnica também contou com a presença da secretária adjunta de Gestão Pedagógica, Naire Capistrano, que destacou que a Toca de Assis já desenvolve um trabalho voluntário e de relevância social. “Já é uma referência para a comunidade, especialmente para essa população. Um dos serviços que podemos contribuir por meio da SME é uma educação humanitária, é um ensino inclusivo. Estamos nesse momento para concretizar, efetivar essa parceria, ouvindo as pessoas em situação de rua. É um momento de escuta para conhecer esses estudantes e fazermos um desenho, porque sabemos a importância da educação na formação do cidadão. A contribuição da Secretaria Municipal de Educação é na formação desse sujeito, enquanto cidadão”.
A Fraternidade Aliança Toca de Assis é mantida pelo Instituto dos Filhos da Pobreza do Santíssimo Sacramento, pela Arquidiocese de Natal, bem como apoiada por um grupo de benfeitores, e todos que servem são voluntários que possibilitam o funcionamento, ofertam atendimento médico, odontológico e psicológico, doação de roupas, corte de cabelo e barba, entre outros serviços.
Participaram ainda da visita, a diretora do Departamento de Ensino Fundamental, Daniela Lacerda e assessores pedagógicos da Educação de Jovens e Adultos que realizaram o levantamento de dados junto aos interessados.








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